Análise Institucional

Bases de trabalho:

-Valorizar a patoplastia – o psicótico é sensível aos seus referenciais. Ao ambiente, ao gato, ao vazio, seja qual for.. ele tem vários objetos de transferência.. esses objetos lhe afetam.. ele esta sempre preocupado, embrutecido, por ser sensível ao espaço.

-Para trabalhar dessa forma dependemos de uma multiplicidade de possíveis. De um ambiente diverso, vivo e múltiplo.

-Como ocorria o ato na prática – por meio de intervenções no ambiente, nas relações. Faziam encontros (constelações) para discutir sobre algo ou alguém – mas para isso dar certo teríamos que arrebentar os níveis hierárquicos.

TRANSVERSALIDADE E POLÍTICA

Tudo começou com a hipótese de que a transferência institucional pudesse concernir não apenas as relações no interior da psicoterapia institucional, mas as relações dos indivíduos com a coletividade, o ambiente, as relações econômicas e as produções estéticas.

Capitalismo e esquizofrenia, […], girava em torno do funcionamento da subjetividade pré-pessoal – aquém das totalidades da pessoa e dos indivíduos – e supra pessoal, quer dizer, fenômenos de grupo, fenômenos sociais. E além disso, os agenciamentos de enunciação deveriam implicar os “componentes maquínicos”,como os componentes da informática. (GUATTARI, 2018, p. 202).

Guattari também entendia, em Psicanalise e transversalidade, que a produção de instituições pode ser definida como unidades de subjetividade, assim instituição é todo grupo que produz subjetividades, à maneira de Tosquelles. Pois bem, para ele, a sociedade de consumo produz uma contradição no seio das unidades de subjetividade. Por um lado, ela submete os indivíduos aos modelos mais estereotipados, mas, por outro lado, através da organização do trabalho, a formação profissional, as inovações tecnológicas etc., exige subjetividades cada vez mais elaboradas (GUATTARI, 1972, p. 235). Maio de 68 foi a explosão dessa contradição.

No entanto, é importante considerar que o movimento de desterritorialização do capitalismo consiste justamente em destruir a legitimidade de instituições (corporações, hierarquias, religiões) que antes de sua existência precediam a produção e eram justamente o espaço de produção de subjetividades. Com a revolução industrial, “a máquina de produção precede a instituição”, e a legitimidade social passa agora pela economia e não mais pela família, igreja ou pátria. Se a revolução industrial expropria as instituições, “a evolução das máquinas produtivas e das estruturas de referência econômica não é apreendida diretamente pela consciência. As classes sociais continuam a se banhar em uma espécie de meio natural imaginário: elas estão sempre em busca de uma estabilidade imaginária”

Para Guattari, a emancipação subjetiva só se torna possível quando um grupo sujeito é capaz de colocar em questão essa necessidade de instituição, romper com a demanda de instituição.

Guattari – Estamos em um grupo não para nos escondermos do desejo e da morte, engajados em um processo coletivo de obssessionalização, mas em razão de um problema particular, não pela eternidade, mas a título transitório: é o que chamei de estrutura de transversalidade.

Para escapar desses arcaísmos imaginários, para impedir que as subjetividades se apeguem imaginariamente a essas instituições que o próprio capitalismo destrói, como a família, a pátria e a igreja, para escapar também das instituições do poder e das antigas formas de luta, é necessário instaurar um corte, uma forma de organização que seja a forma mesma dessa ruptura, ou seja, um grupo consciente de sua finitude e de seu ser para a morte, capaz de assumir o caráter artificial e provisório de todo e qualquer agenciamento. Isso, sim, é do jamais visto.

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