Acho que o que todos procuramos hoje são relações verdadeiras. Esse é o ponto de sofrimento que vejo trazer as pessoas ao consultório. Em meio a relatos de traumas, retrospectivas, memórias, mazelas, desmazelas, com textura de angústia que traz no olfato a esperança e a revolução, pois ela denúncia, ela quer mais, ela quer afeto real.
DESMAZELAMENTO, PALAVRA QUE CHAMA, POIS DIZ MAIS DO QUE O DITO. DIZ SOBRE SANGRAR, DEIXAR FLUIR O QUE ESTÁ EXPOSTO. DENUNCIA. VAI PARA RUA SEM RUMO E RETIRA A FERIDA.
É UMA RECUSA AO SILÊNCIO. O TRATAMENTO É FALAR? .. É ESTAR. REINVINDICAR. COM OUTROS…. COM
ESTAR EM UM AQUÁRIO CHEIO DE TUBAÕES É MELHOR DO QUE ESTER SÓ. AFINAL, DE QUE SÃO FEITOS OS TUBARÕES ?
FAZER CONTATOS. CIRCULAR. DESCODIFICAR CIRCUITOS.
Talvez deveríamos prestar atenção no sofrimento. Mas cheirar ele … como um sujeito em sofrimento que , por uma razao qualquer, entrou em um fluxo desejante que confronta e ameaça a ordem social, mesmo que apenas no seu entorno imediato. É o que temos de verdadeiro em nós dando um basta na merda. Desterritorializando esses territórios artificiais … vive aqui, vai ali , compra aqui, mais ali, pega o carro, fica só, anda só, um anúncio, um algoz, um algoritmo, um rival, uma cidade de merda.
Por isso, o esquizofrênico quer sair andando; por isso as vozes lhe dizem para sair andando. Sai sem rumo, basta. Um oxímoro, que beleza, aqui fica minha deixa. Como diria Bartebly, o escrevente, prefiro não.
Será a revolução espontânea, deixar que se sedimente ? Ou nos unimos de cara desmantelados ?. Esse louco não é perigoso, é nosso.
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