1. Meios sem fim –
Clínica, gesto e política
Agamben desloca a política para um ponto pouco explorado: os meios sem fim, os gestos que não servem a um objetivo externo.
Na clínica, isso aparece de forma clara. Nem todo comportamento do paciente é sintoma a ser eliminado. Muitos são gestos de sustentação, modos de existir.
O paciente com TDAH que precisa de música, o autista que organiza o mundo por objetos, o depressivo que repete certos rituais — não são apenas déficits. São meios de se manter em funcionamento.
A psiquiatria tradicional tende a perguntar:
→ “para que serve isso?”
Agamben sugere outra leitura:
→ “e se isso não precisar servir a nada?”
Na prática clínica, isso muda tudo.
O foco deixa de ser adaptação e passa a ser possibilidade de existência.

Deixe uma resposta